• Leão XIV diz ser possível construir no país um projecto de esperança


    O Chefe de Estado do Vaticano, Papa Leão XIV, assegurou sábado, em Luanda, durante a mensagem proferida no Salão Protocolar da Presidência da República, que é possível construir em Angola um projecto de esperança com a participação de todos.
    A esperança, disse o Sumo Pontífice, nasce muitas vezes daqueles que foram rejeitados, salientando ser, nessa lógica, que se constrói um futuro sólido e inclusivo.
    “A Igreja Católica, que tem prestado relevantes serviços ao país, deseja continuar a ser um fermento positivo na sociedade, promovendo um modelo de convivência justo, livre de novas formas de escravidão impostas por interesses económicos e falsas promessas”, sublinhou o Sumo Pontífice.
    “Só em conjunto será possível potenciar os talentos deste povo, incluindo nas periferias urbanas e nas regiões mais remotas, onde se constrói o futuro. É necessário remover os obstáculos ao desenvolvimento humano integral, com coragem e esperança”, acrescentou Leão XIV.
    O Bispo de Roma confessou, ainda, que vê nos jovens, nos pobres e em tantos cidadãos angolanos a capacidade de sonhar, de esperar e de não se conformar com o que já existe. Admitiu que há nos jovens um desejo enorme de preparação para assumir responsabilidades e contribuir, activamente, para a construção de uma sociedade melhor.
    “Esse anseio profundo, que habita o coração humano, é uma força transformadora mais poderosa do que qualquer programa político ou cultural”, afirmou o Papa, enfatizando estar “entre nós” ao serviço dessas forças que animam as pessoas e as comunidades.
    “Angola é um mosaico rico e diverso”, salientou, desejando ouvir e encorajar todos aqueles que escolheram caminhos de justiça, paz, tolerância e reconciliação, bem como apelar à conversão daqueles que, por vias contrárias, dificultam o desenvolvimento harmonioso e fraterno do país.
    O Sumo Pontífice ressaltou que se refere, também, às riquezas materiais, que muitas vezes atraem interesses que provocam sofrimento, mortes e graves consequências sociais e ambientais, argumentando que esta lógica extractivista, presente em várias partes do mundo, sustenta um modelo de desenvolvimento que exclui e marginaliza, apresentando-se, ainda assim, como inevitável.
    “Há décadas, já se denunciava o carácter ultrapassado de uma civilização excessivamente materialista. As novas gerações esperam algo diferente. Alimentadas por sabedorias antigas, são testemunhas de que a criação é harmonia na diversidade. Sempre que essa harmonia foi violada, os povos sofreram as consequências, deixando marcas profundas”, observou o Papa Leão XIV.

    Apelo à reconciliação e ao fim dos conflitos
    O Sumo Pontífice considera que a África enfrenta o desafio urgente de superar conflitos que fragilizam o tecido social e político, reiterando que “o diálogo é o seu ponto de partida”, na medida em que “o conflito não deve ser ignorado nem alimentado, mas assumido, resolvido e transformado em oportunidade de crescimento e reconciliação”.
    “É fundamental valorizar as diferenças, escutar as aspirações dos jovens e respeitar a sabedoria dos mais velhos, transformando os conflitos em caminhos de renovação e colocando sempre o bem comum acima dos interesses particulares”, apelou.
    A alegria e a esperança, referiu o Chefe de Estado do Vaticano, frequentemente vistas como sentimentos privados, são, na verdade, forças sociais poderosas, realçando que “contrariam a resignação e o isolamento”. Pelo contrário, acrescentou, “a tristeza e o medo podem tornar as pessoas vulneráveis à manipulação, ao fanatismo e à divisão”.