• Oficiais generais e políticos destacam o valor da paz na estabilidade do país


    Diversas figuras políticas e militares destacaram, durante a Conferência Internacional alusiva aos 24 anos de Paz, realizada em Luanda, a importância do diálogo, da reconciliação nacional e da preservação da estabilidade em Angola, defendendo o envolvimento da juventude e o fortalecimento das instituições democráticas como caminhos para o desenvolvimento sustentável do país.
    O general das Forças Armadas Angolanas (FAA) Bento Kangamba assinalou a dimensão da conferência, que visou reforçar a reflexão sobre a paz, a unidade nacional e os desafios actuais, num contexto internacional marcado por conflitos e instabilidade.

    Segundo o político, das várias intervenções feitas, relevo deve ser dado àquelas que visaram sensibilizar a sociedade, com particular atenção à juventude, sobre a importância da paz conquistada após 27 anos de conflito armado, que dividiu famílias e dilacerou o tecido social.

    Durante a sua intervenção, Bento Kangamba recordou o período de guerra em Angola, sublinhando que o país enfrentou grandes dificuldades até à conquista da Paz a 4 de Abril de 2002.

    De acordo com Bento Kangamba, as limitações da guerra naquela época tornaram o processo mais exigente, implicando sacrifícios significativos por parte dos angolanos na luta pela estabilidade e unidade nacional.

    O oficial general reformado das FAA destacou, ainda, que após o alcance da paz Angola registou avanços consideráveis em vários domínios, incluindo o desenvolvimento social e económico e o reforço da convivência entre os cidadãos.

    “Hoje, somos irmãos, amigos e parentes. A paz permitiu aproximar os angolanos e criar condições para o desenvolvimento do país”, referiu, apelando à consolidação da reconciliação nacional e à valorização dos progressos alcançados.

    Importância do diálogo
    Marcial Adriano Dachala, da UNITA, que participou nas negociações do Memorando de Entendimento Complementar ao Protocolo de Lusaka, assinado no Luena (Moxico), destacou o diálogo como principal instrumento para consolidar a paz e fortalecer a democracia.

    O também general reformado recordou que o acordo que consolidou a paz em Angola, assinado há 24 anos, resultou de negociações directas entre angolanos, sendo posteriormente apoiado pela comunidade internacional.

    Marcial Dachala considerou que uma das principais lições do processo de paz foi a necessidade de os actores políticos adoptarem uma postura mais centrada nas necessidades da população.

    Defendeu, ainda, o reforço dos mecanismos democráticos, com destaque para a implementação das autarquias locais, que, segundo afirmou, são essenciais para promover a participação comunitária e o desenvolvimento sustentável do país.

    O político reconheceu que, apesar dos avanços registados ao longo dos 24 anos de paz, o sistema democrático angolano ainda enfrenta desafios. Neste sentido, sublinhou que a institucionalização das autarquias constitui uma questão de justiça e de aprofundamento democrático, permitindo aos cidadãos elegerem directamente os responsáveis pela governação local.

    Por seu turno, o deputado Mário Pinto de Andrade, do MPLA, destacou que a paz constitui o maior bem público alcançado pelos angolanos, lembrando que o país viveu cerca de 40 anos de confrontos, entre a luta de libertação nacional e o conflito armado interno.

    Segundo o académico, a reconciliação nacional permitiu unir os angolanos em torno de um projecto comum de desenvolvimento. O também deputado destacou avanços significativos registados após 2002, com particular incidência nos sectores da Educação, Saúde, Habitação e Infra-estruturas.

    No Ensino Superior, referiu que Angola passou de cerca de 1.500 estudantes universitários, em 2002, para mais de 300 mil, actualmente distribuídos por mais de 100 instituições públicas e privadas do ensino superior.

    Mário Pinto sublinhou, ainda, o papel crescente de Angola na mediação de conflitos no continente africano, defendendo que a experiência angolana deve continuar a servir de referência para outros países.

    “O ‘milagre angolano’ foi a assinatura de acordos, cumpridos de boa fé, integrando antigos adversários num projecto comum de reconciliação e desenvolvimento”, afirmou.

    Por sua vez, o tenente-general Fernando Mateus considerou o 4 de Abril uma data de grande relevância para Angola e para a região austral africana, destacando que a paz alcançada permitiu ao país concentrar o foco no desenvolvimento e na melhoria das condições de vida da população.